quarta-feira, 8 de março de 2017

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

Sinopse 
Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como «um rastilho de pólvora». Uma cegueira coletiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica.  

Opinião 
Esta parceria da Leya com a RTP não poderia ter corrido melhor. Os livros têm uma qualidade excelente, a diagramação e as páginas amarelas dão azo a uma leitura muito agradável e as capas duras vao fazer perpetuar estes livros por gerações. Para não falar no preço: por 9€, qualquer pessoa consegue ter acesso a literatura e de qualidade. Por isso, já não há desculpa para não fazer o exercício da leitura. 
Agora, directo ao que nos trouxe aqui: O Ensaio sobre a Cegueira.
José Saramago foi o único português a receber um Nobel da Literatura. Da sua obra, só li 'Memorial do Convento' (no secundário) e agora 'Ensaio sobre a Cegueira', livro que coloquei na minha TBR para ler no projecto 'Ler os nossos'.   
Quanto ao primeiro, a minha opinião não foi positiva. Talvez não tinha maturidade suficiente para entender a narrativa na altura. Mas 'Ensaio sobre a Cegueira' superou qualquer expectativa. Estava à espera de um livro bom, mas nunca pensei que fosse TÃO bom. 
 A história ''é velha'': a população começa a ficar cega, cega num mundo branco, branco leite. Aos primeiros cegos, o Governo coloca-os dentro de um velho Hospital Psiquiátrico para onde enviaria as pessoas à medida que fossem cegando. Rápido se apercebem que a 'doença' se está a espalhar e é então que se instaura o caos.
 Aos que entraram no velho Hospital Psiquiátrico não era dada a hipótese de sair. Foram prometidos mantimentos suficientes para todos, mas com a cegueira a espalhar-se, mas tal não se veio a verificar. E aqui começa o desenrolar da tese que José Saramago queria comprovar. 
Quem nos vai contar esta história é a esposa do primeiro cegue, que se fingindo de invisual para não ser separada do marido, entra na Quarentena e relata a degradação que está a experienciar. A dada altura, ela confessa ao marido que não sabe se é maior castigo estar cego ou ter de testemunhar toda aquela situação pesada e tenebrosa. 
O quão racional é o ser humano, afinal? Esta narrativa vai obrigar a um exercício mental muito poderoso do quão egoísta e individual a sociedade se tornou. Na hipótese do ser humano ser levado a uma situação extrema como a que é apresentada no livro, o irracional vai tomar conta do Homem e vamos entender que, afinal, não é assim tanto aquilo que nos diferencia dos animais na luta pela sobrevivência. 
TODO O LIVRO É UMA METÁFORA. Numa entrevista dada nos anos 90, José Saramago explicou de onde surgiu a ideia de escrever este livro. ''Estamos todos cegos'' dizia ele. ''Cegos da razão''. E a maneira que ele encontrou de provar o seu ponto, foi escrevendo estas 304 páginas estrondosas que nos faz repensar toda a nossa visão do mundo. 

2 comentários:

  1. Li este há pouco tempo, para o projeto Ler os Nossos também :) Gostei muito!!

    Beijinhos*
    http://menteliteraria.blogs.sapo.pt/

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  2. este livro é um murro no estomago da sociedade. Magnifico.

    Beijinho*

    www.facebook.com/BookReadingPea

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